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a patafísica e o encenador 13 Maio, 2008

Posted by Alves J. B. in evento.
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Na noite de 12 de maio de 2008 é incontestável que o palco do Salão de Atos da UFRGS pertenceu a Gerald Thomas, o destaque da noite.

As reações causadas pelo dramaturgo foram variadas ainda que de forma geral vinculadas por um misto de frustração, indignação e dúvida. Gerald Thomas ao fim talvez prematuro de sua conferência foi vaiado é verdade. Mas o que mais aconteceu nesta noite em Porto Alegre?

Antes falou-nos Fernando Arrabal em um formato sem espaço para perguntas formuladas na ocasião, diferente da conferência de abertura do evento Fronteiras do Pensamento 2008 com Edgar Morin, pois, dizia a mensagem da organização do evento, seria feito uso de recursos audiovisuais nesta noite, e também foi dito algo sobre o tempo da conferência. E se não me engano uma voz (e não várias) pediu para chamá-lo de volta ao fim de sua conferência que pareceu ter sido interrompida por uma questão de tempo, mas a resposta foi que de fato ela havia sido completada. Uma conferência de fala serena que ganhou risos e aplausos, com direito a um crocodilo artificial (não pareceu-me empalhado).

Quando Gerald Thomas assumiu o palco soubemos que não havia trazido consigo um crocodilo. Fotografou alguém da primeira fila que o fotografava e cogitou acessar a internet por wi fi, mas não pareceu possível. Assistimos a uma pequena edição de DVD com alguns de seus trabalhos e então permitiu e solicitou-nos que fizéssemos perguntas.

A primeira foi sobre Barack Obama, a segunda perguntava sua opinião sobre a definição de arte e o papel dela e, por fim, a terceira deu-lhe a oportunidade de dizer-nos o que pensa fazer agora que olhando sua própria obra não vê sentido ou tem interesse de continuar produzindo da mesma forma como já fez. Gerald Thomas respondeu-nos a primeira pergunta, mas não a segunda. E concluindo a resposta da terceira pergunta denominou o momento como um show off, disse que o resto é hipocrisia, concluiu sua conferência e foi vaiado. Eu estava lá, fiz-lhe uma das perguntas e igual pergunto-me: Por que vaiá-lo?

O tema do evento é “A Arte e a linguagem na cultura contemporânea“. Arrabal foi-nos apresentado com “Do surrealismo à patafísica: onde está a vanguarda da arte?” e Thomas, “O encenador de si mesmo“. Fernando Arrabal definiu o teatro feito hoje, a inteligência e a imaginação, mas de fato disse-nos o quê? Gerald Thomas deu-nos uma sinceridade quase ofensiva. Vejam bem, esta é a minha opinião e fui eu quem não teve a pergunta respondida.

O senhor diz que olhando a sua própria obra gostaria de parar. Como o senhor via a arte quando iniciou a sua carreira e durante ela até hoje, qual o papel da arte para o senhor?

Gerald Thomas disse que a pergunta é entediante, não queria entediar-se, não queria entediar-nos. Disse que se fosse o caso poderia dar uma resposta enquanto tomasse café (ocasião que duvido que se realize, tomar café com ele). Disse algo como “… a arte não existe mais (…) já não há mais sentido nela”, e, “… hoje vivemos em e somos nossas próprias bolhas…”. Antes da terceira pergunta pediu-nos perguntas mais pertinentes, talvez relacionadas a violência, crise ambiental, tráfico de drogas, etc. Criticou os pequenos grupos de pensadores e o falso debate filosófico. Gerald Thomas mudou o formato previsto para sua conferência permitindo perguntas e falou.

Mas então o que é este evento e quem são os que dele participam? Ainda não encontrei esta resposta. Honestamente não sei se trata-se de um público de curiosos, intelectuais, pessoas que precisam preencher seu currículo com as horas do evento ou qualquer outra opção. O único público que identifiquei no Salão de Atos da UFRGS foi este que riu com Fernando Arrabal e deixava a conferência de Gerald Thomas logo em seus primeiros minutos. O evento talvez eu consiga definir, mas não agora, quando terminar.

Na saída as pessoas se perguntavam se Thomas doaria o que teoricamente recebeu para participar do evento. E também rolou um boato de que na prévia no dia anterior (será que existe e posso participar?) os dois conferencistas se desentenderam e decidiram aparecer separados, o que explicaria duas conferências com ar de vazio. Mas estas são palavras de um público insatisfeito, nem imagino a veracidade.

O que vi foi um Gerald Thomas incomodado. E me pergunto se vi Fernando Arrabal ou assisti.

Comentários»

1. Mariana - 18 Junho, 2008

Muito por acaso li o teu comentário sobre o evento do dia 12 de maio…E mesmo assim, não posso deixar de “dizer”, mesmo não estando presente no acontecimento, que adorei a finalização do texto.

É sempre importante pararmos e refletirmos sobre o que nos é apresentado.
Senso crítico, gostei!